quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Temer promulga repactuação de dívidas de cooperativas.
 

Presidente tinha vetado dois artigos da lei de renegociação de dívidas de cooperativas com o Pronaf, mas o Congresso barrou os vetos.
 

Por Estadão Conteúdo

Brasília – Após a derrubada de dois vetos pelo Congresso Nacional, o presidente Michel Temer promulgou os artigos de leis que haviam sido vetados, que passam agora a ter validade.
O primeiro, autoriza o Executivo a repactuar as dívidas de cooperativas de produção agropecuária com o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) contratadas até 31 de dezembro de 2010.
Os saldos devedores serão recalculados pelos encargos originais, livres de multas, juros e quaisquer outras taxas.
Os pagamentos terão prazo de carência de três anos; e prestações anuais com taxas prefixadas de juros de 5% ao ano e prazo de amortização de dez anos.
Temer também promulgou artigo de outra lei que garante adicional de insalubridade para agentes comunitários de Saúde.
Os dois temas haviam sido vetados pelo presidente no ano passado, mas os vetos foram derrubados em setembro após um acordo no Congresso Nacional entre governo e oposição antes da votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2017.
A promulgação dos artigos está publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira, 11.

http://exame.abril.com.br/economia/temer-promulga-repactuacao-de-dividas-de-cooperativas/

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Tenha mais dinheiro em 2017 seguindo apenas estes cinco passos. 

É hora de pôr suas finanças em dia depois das promessas de Ano Novo. Vai ficar fácil com estas dicas. 


Por Júlia Lewgoy

 

Planejamento financeiro: Levante todas as dívidas e faça um diagnóstico realista dos gastos e ganhos (lovemelovemypic)

São Paulo – Depois da folga, da lentilha e da calcinha amarela do Ano Novo, é hora de ser realista e dar um jeito no orçamento para ter um 2017 sem perrengues financeiros. Com o futuro econômico do país ainda incerto, faça o que está ao seu alcance: controlar seus ganhos e gastos para concretizar todos os planos feitos no Réveillon.

“Dinheiro é um ator coadjuvante na vida, mas se você não destinar tempo e atenção, ele roubará sua energia e assumirá o centro do palco”, observa a educadora financeira Cássia D´Aquino. Está na hora de encarar seu dinheiro sem preconceitos.

A seguir, EXAME.com lista cinco passos para começar 2017 livre de bagunça na vida financeira:
 

1) Levantar as dívidas e se organizar para quitá-las
Faça um levantamento honesto de todas as suas dívidas, incluindo as com amigos e familiares, que têm um custo emocional alto, apesar de não cobrarem juros. Dê prioridade para arcar com o que você é capaz de pagar no momento, como orienta Cássia.

Se não puder pagar agora, estabeleça um prazo realista. “Conforto emocional é mais importante do que surtar para pagar todas as dívidas de uma vez”, esclarece a educadora financeira. Anote o cronograma em recados na geladeira, no celular ou onde quiser, e cumpra-o rigorosamente. 


É importante informar ao credor sobre seu plano de quitar a dívida, como recomenda o educador financeiro Reinaldo Domingos, fundador da Associação Brasileira de Educadores Financeiros e da DSOP Educação Financeira. Tente renegociar a dívida no banco e fazer um acordo realista. “O pior acordo que você pode fazer é aquele que não pode pagar”, orienta.
 

2) Diagnosticar ganhos e gastos
Para conseguir poupar, é essencial diagnosticar para onde o seu dinheiro está indo. Existem excessos em todas as famílias e sempre é possível cortar um pouquinho, segundo Domingos. Mas cortar gastos aleatoriamente, sem um diagnóstico apurado, não funciona bem.
Para isso, existem uma infinidade de planilhas, em aplicativos para smartphones ou no Excel, que são extremamente fáceis de usar e eficientes. EXAME.com listou algumas das melhores.
O ideal é que você mantenha esse diagnóstico constantemente, e não faça ele apenas uma vez e depois abandone a tarefa. Essa é a melhor forma de ter sua vida financeira sob controle.
 

3) Planejar seu orçamento financeiro
Planejar um orçamento financeiro é fazer esse diagnóstico dos gastos e ganhos e planejar suas metas e sonhos. “É um plano de voo, algo que dirija você a algum lugar”, explica Cássia.
As planilhas de orçamento normalmente têm um espaço para você acrescentar metas e anotações. Pode ser algo simples, como viajar no feriado, ou um plano de longo prazo, como se aposentar com determinada idade.

Também é importante determinar regras para você mesmo de como lidar com o dinheiro. Fuja de tudo que tenha juros, como compras parceladas no cartão de crédito e empréstimos pessoais, como recomenda o professor de finanças da Fipecafi George Sales.
Organize como você pagará suas contas em dia e como realizará seus pagamentos do dia a dia, em dinheiro ou no cartão. Uma dica é agrupar todos pagamentos das contas na mesma data.
 

4) Correr atrás de novas fontes de renda
Se você já cortou todos os gastos possíveis e mesmo assim o orçamento continua apartado, a solução é procurar fontes alternativas de renda. Às vezes, não é preciso trocar de emprego ou redirecionar a carreira. Dá para encontrar soluções mais simples, como vender coisas usadas ou ganhar uma renda extra fixa em cada mês.
 

5) Investir para ter uma reserva de emergência e realizar sonhos
Em 2017, especialistas recomendam evitar se descapitalizar e manter o maior valor possível investido. É preciso cautela para encarar a incerteza econômica que está por vir.
“Não é momento para contrair dívidas, e sim para se capitalizar mais”, recomenda Domingos. Pode ser uma estratégia aproveitar os juros altos dos investimentos de renda fixa, os mais seguros do mercado.
Se você ainda não investe em nenhuma aplicação financeira, o primeiro passo é guardar um dinheiro para emergências. A recomendação é ter o equivalente a entre três e seis salários investidos, para caso você perca o emprego ou algum outro imprevisto aconteça.

Para isso, há investimentos tão seguros quanto a poupança, que proporcionam rentabilidade maior. Mas não exija milagres. “Desconfie de qualquer rendimento bom demais para ser verdade”, recomenda Cássia.
Depois de construir a reserva de emergência, invista para realizar sonhos de médio prazo, como uma viagem ou a compra de um carro, e de longo prazo, como a aposentadoria.

http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/tenha-mais-dinheiro-em-2017-seguindo-apenas-estes-cinco-passos/ 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Demanda por crédito deve crescer 3,4% este ano, mostra estudo. 

Recuperação seria motivada por investimentos e queda dos juros.


por Daiane Costa


Notas de real - Arquivo/5-9-2016


RIO - Apostando numa leve melhora do consumo de bens duráveis e dos investimentos, puxada pela trajetória de queda dos juros iniciada no fim de 2016 e por uma recuperação da confiança dos empresários, estudo do Banco Santander projeta que a carteira de crédito total do sistema financeiro compensará a perda do ano anterior — prevista em 3,1% — crescendo 3,4% em 2017. O banco considera essa alta moderada, pois o crédito ainda encontrará neste ano duas barreiras: o alto nível de endividamento de empresas e das famílias e a perspectiva de mais um ano de retração da carteira do BNDES, de 4,5%, em linha com o ajuste fiscal.

— De fato, o endividamento alto das empresas e das famílias que, segundo o Banco Central, comprometem 22% da renda com dívidas, limita a recuperação do crédito, mas não impede que a queda dos juros contribua para o crescimento de 3,4% da carteira. A taxa está em 13,75% ao ano e é consenso que cairá mais ao longo de 2017 — explica Everton Gomes, economista do Santander e um dos autores do estudo.

ESTÍMULO ÀS EMPRESAS
Mesmo o crédito para as empresas, que apresentou forte contração em 2016 e deve encerrar o ano encolhendo 8%, deve voltar a crescer: 4,1% nas contas do banco, puxado pelos juros mais baixos e pela expectativa de uma retomada da atividade econômica. A projeção do Santander é que a Formação Bruta de Capital Fixo, que mede o nível de investimentos, cresça 3,5% em 2017, bem acima da sua previsão para o PIB (0,7%).
— A expectativa de retomada, além de reduzir o custo de oportunidade dos investimentos, deve provocar uma recuperação da confiança dos empresários, estimulando a demanda por crédito — afirma Gomes.

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- Editoria de arte



Pelo lado das famílias, a carteira de empréstimos para compra de veículos deve fechar 2016 com nova queda, na ordem de 12%, totalizando um recuo de 40% desde o final de 2012. Mas, depois desse longo período de retração, os economistas do Santander acreditam que o varejo do segmento voltará a crescer, impulsionado por “alguma recuperação da confiança dos consumidores e pela queda da taxa de juros”, fazendo a carteira de crédito para veículos não cair em 2017, ficando estabilizada.

Nas contas do banco, a Selic deve encerrar 2017 a 9,75% ao ano, o que não ocorre desde o fim de 2013. Segundo Gomes, o crédito para veículos reage mais quando os juros caem.
André Rebelo, economista e assessor de assuntos estratégicos da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) também é otimista em relação a 2017. Acredita que as famílias vão conseguir quitar dívidas e ajudar a demanda a melhorar:
— Não há dúvidas de que o crédito terá um ano positivo e ajudará a indústria. Há muitos segmentos com capacidade ociosa alta, mas outros, como a indústria de alimentos, o agronegócio, com equipamentos e insumos agrícolas, vão acabar gerando demanda por crédito — analisa o economista, que tem projeções bastante semelhantes às do Santander para este ano: alta de 0,8% da atividade econômica nacional e de 3,8% dos investimentos.
Já a carteira do BNDES deve fechar 2016 aproximadamente R$ 70 bilhões menor do que em 2015, recuo de 11%, com as novas concessões caindo 40%. Segundo o estudo do Santander, para reverter a tendência de queda em 2017, seria necessário que as concessões crescessem cerca de 100%. Como descartam essa possibilidade, tendo em vista o contexto de necessidade de ajuste fiscal e de recuperação modesta da demanda por investimentos, projetam nova queda para 2017, de 4,5%. Na avaliação de Gomes, essa retração é positiva.
— A carteira do BNDES quintuplicou em sete, oito anos, e o banco perdeu um pouco o seu foco principal, emprestando muito e de forma acelerada. Desde 2015, ele está mais focado em empreendimentos de crescimento a longo prazo, de infraestrutura e saneamento, pensando no lado social, como sempre deveria ter feito. O que ocorre agora é que empresas que pegavam capital de giro subsidiado vão ter de recorrer aos bancos privados — diz o economista.

‘BANCOS NÃO QUEREM EMPRESTAR’
Menos otimista em relação a 2017, Carlos Thadeu de Freitas, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio e ex-diretor do Banco Central, diz que a carteira total de crédito não deve ter alta superior a 2%, porque o efeito da queda da Selic demora a chegar ao mercado, e as famílias vão continuar com dificuldades para quitar suas dívidas. Na visão do economista, os bancos também vão dificultar o acesso ao crédito:
— O spread bancário (diferença entre o custo de captação e de empréstimo) vai continuar subindo, porque os bancos não querem emprestar, já que têm a alternativa de ganhar mais comprando títulos públicos, com rendimento real entre 6% e 7% ao ano e nenhum risco.

http://oglobo.globo.com/economia/demanda-por-credito-deve-crescer-34-este-ano-mostra-estudo-20725585

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016


Após bater recorde em outubro, as taxas cobradas pelos bancos para emprestar às empresas recuaram um pouco no mês passado, mas continuaram próximas dos patamares mais elevados desde que o Banco Central começou a divulgar estatísticas sobre o assunto, em março de 2011.
Segundo o BC, o spread bancário –diferença entre as taxas de juros que os bancos pagam ao captar recursos e as que cobram ao emprestar– caiu para as empresas de 18,9 para 18,2 pontos percentuais em novembro, voltando aos níveis de junho.
Além de incluir parte dos ganhos que os bancos têm com os empréstimos, os spreads refletem o risco de inadimplência e seus custos operacionais. O patamar elevado para empresas reflete a maior cautela diante da recessão que o país enfrenta desde 2014, que afeta o fluxo de caixa das companhias e tem levado muitas delas a entrar com pedido de recuperação judicial, mecanismo que permite renegociar as dívidas em condições mais vantajosas. 

Apesar de continuar em níveis elevados, o spread das pessoas jurídicas ainda segue bem abaixo do de pessoas físicas, que atingiu 61,2 pontos percentuais em novembro.
Enquanto o spread disparou, as concessões de empréstimos caíram ao longo do ano. Linhas de capital de giro, às quais as empresas recorrem para manter suas operações, recuaram 34,7% em novembro em relação ao mesmo mês de 2015. Contas garantidas tiveram queda de 21,5% e cheque especial, de 16,2%. 

A redução dos empréstimos para empresas foi observada nos quatro maiores bancos do país –Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e Santander–, de acordo com os balanços mais recentes, do terceiro trimestre do ano. Na Caixa Econômica Federal, a concessão de crédito teve crescimento tímido, de 2,9%.
Questionados sobre o motivo do recuo, apenas Itaú, Banco do Brasil e Santander responderam. A razão apontada foi a falta de demanda das empresas, que estão muito endividadas e não têm feito investimentos na crise. 

ENDIVIDADAS
A asfixia financeira das empresas tem contribuído para atrasar a retomada da atividade econômica. O país entrou na atual recessão em 2014, e os economistas preveem que saia dela em 2017.
Dados do birô de crédito Serasa Experian mostram que a procura por crédito caiu 11,4% em novembro, em relação ao mesmo mês de 2015. Para Godofredo Barros, presidente da empresa de recuperação de crédito Ipanema Credit Management, parte da queda foi motivada pela constatação das próprias empresas de que não têm condições de tomar mais empréstimos. 

"A oferta caiu porque as empresas estão endividadas, têm restrição na praça e sabem que não conseguem acessar o crédito porque não têm capacidade de tomar mais dívida", disse Barros. O professor José Pereira da Silva, da Escola de Administração de Empresas da FGV (Fundação Getulio Vargas), também vê o alto nível de endividamento das companhias como principal limitador.
"As empresas de menor porte estão demandando recursos, mas sabem que possuem um risco maior do que o aceitável pelos bancos. Então, neste sentido, não existe oferta de recursos porque os bancos estão sendo extremamente cuidadosos", afirmou. 

A preocupação encontra respaldo nos índices de inadimplência. Em novembro, a taxa de atrasos superiores a 90 dias alcançou 5,4% das operações de crédito, maior nível da série histórica do BC. No acumulado do ano até novembro, os pedidos de recuperação judicial de empresas cresceram 51% em relação ao mesmo intervalo de 2015.
As perspectivas para retomada nas concessões de crédito não são as melhores, disse Roque Pellizzaro Junior, presidente do SPC Brasil. "O ano de 2017 deverá ser igual ou pouca coisa melhor que 2016. O segundo semestre apresenta grande possibilidade de melhora, mas hoje no Brasil a gente dorme pensando em uma coisa e acorda em uma outra realidade."

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/12/1844234-com-maior-inadimplencia-restricao-de-credito-para-empresas-continua-alta.shtml

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Bancos suspendem pagamento e diminuem prestação do imóvel.

Bancos estão mais dispostos a negociar o pagamento do financiamento para clientes que passam por dificuldades financeiras. Conheça as opções.


Por Marília Almeida


Homem comprando imóvel (AlexRaths/Thinkstock)

São Paulo – O aumento do desemprego no país, provocado pela crise econômica, é um dos motivos pelo qual a fatia de devedores que atrasam a prestação do imóvel triplicou.
Apesar da inadimplência neste tipo de dívida continuar baixa, já que a falta de pagamento das prestações do financiamento pode causar a perda do imóvel, os bancos estão mais dispostos a negociar o pagamento da dívida como forma de se proteger contra calotes.
“A inadimplência tem subido menos do que deveria porque os bancos estão dispostos a negociar com bons pagadores”, diz Gilberto Duarte, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
Caixa, Itaú, Santander, Bradesco e Banco do Brasil oferecem hoje formas de suspender o pagamento e diminuir a prestação da casa. O intuito é que o cliente ganhe fôlego financeiro para manter os pagamentos em dia ante um imprevisto, como perda de renda.
A flexibilidade de pagamento é um meio de evitar a retomada do imóvel em um momento de estagnação do mercado imobiliário. “O banco não vive de vender imóvel. Buscar soluções alternativas é melhor tanto para o cliente como para o banco”, diz Fabrizio Ianelli, superintendente executivo de negócios imobiliários do banco.
No entanto, é necessário cautela: as soluções oferecidas representam alívio apenas no curto prazo, já que acarretam no pagamento de mais juros no futuro. Ao colocar as finanças em ordem, o mutuário deve buscar amortizar o saldo devedor do financiamento quando possível para pagar menos encargos.
As soluções também são concedidas pontualmente pelas instituições financeiras e de acordo com o perfil e relacionamento do cliente com o banco. Caso o cliente se descontrole novamente em um período curto, o banco pode não ter a mesma flexibilidade ao negociar.
Veja abaixo as soluções oferecidas pelas instituições financeiras para mutuários que passam por dificuldades financeiras e não conseguem pagar a prestação do imóvel:

1) Carência de até um ano para pagamento das prestações
Bancos como Caixa, Bradesco e Santander permitem suspender o pagamento das prestações em até um ano. Nesse caso, o valor que deixa de ser pago é diluído ao longo da dívida, corrigido com juros.
O Santander pode suspender o pagamento de duas parcelas do financiamento pontualmente. Neste caso, o cliente continua a pagar apenas seguros obrigatórios dos financiamentos, além da taxa de manutenção do contrato, que corresponde a cerca de 10% do valor da parcela. Quem paga 1 mil reais por mês passaria a pagar 100 reais durante dois meses.
Para usufruir da carência, é necessário estar com os pagamentos em dia. “Essa solução vale apenas para quem ainda não atrasou as parcelas da dívida, mas sabe que passará por aperto nos próximos meses, seja porque terá mais pagamentos para honrar, ou porque precisa se recolocar no mercado de trabalho”, diz Ianelli, do Santander.
O prazo de carência concedido pelo Santander aumenta para até seis meses caso o cliente utilize o dinheiro destinado à prestação para o pagamento de dívidas mais caras no banco, a exemplo do crédito pessoal, cheque especial e o rotativo do cartão. “Se o valor ainda não for suficiente para pagar toda a dívida, dividimos o valor residual em até 72 meses, já com juros embutidos”, diz o executivo.
Na Caixa, no ato da renegociação é exigido, no mínimo, entrada equivalente ao valor da primeira prestação recalculada com os efeitos da alteração contratual. Somente assim as demais prestações são incorporadas ao saldo devedor, para pagamento no prazo remanescente do contrato.
João Carlos Gomes da Silva, diretor da área de empréstimos e financiamentos do Bradesco, aponta que a carência de até um ano é oferecida em casos especiais. “Nosso foco são mutuários que perderam a única renda”.

2) Alongamento do prazo do financiamento
Bradesco, Banco do Brasil e Itaú também permitem aumentar o tempo do financiamento como forma de diminuir o peso das parcelas no orçamento mensal.
No Santander, não há limite para alongamento do prazo, desde que não ultrapasse o máximo oferecido pelo banco, de 35 anos. Em empréstimos pelo limite máximo contratados recentemente, portanto, essa flexibilidade diminui.
A solução pode ser útil para mutuários que se realocam no mercado de trabalho com uma renda menor, diz Gomes da Silva, do Bradesco. “O objetivo de aumentar o prazo do financiamento é fazer com que a parcela caiba no orçamento do cliente”.
O alongamento do prazo da dívida só é possível caso a idade do tomador do crédito permita, já que, pelas regras do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) o prazo máximo do financiamento e a idade do tomador mais velho não pode ser maior do que 80.

3) Incorporação de parcelas vencidas no saldo devedor
O Itaú, Banco do Brasil e o Bradesco permitem diluir prestações vencidas ao longo do prazo restante da dívida. Nesse caso, as parcelas também são corrigidas por juros e taxas.
A solução geralmente vale para duas ou três parcelas em atraso. “O cliente que não está conseguindo pagar e precisa de fôlego, como os que voltaram a trabalhar há pouco tempo, podem jogar três parcelas para o final do contrato”, diz Gomes da Silva, do Bradesco.

FGTS também pode ser usado para pagar parcelas vencidas
Uma solução que independe das estratégias dos bancos é a utilização de recursos aplicados no Fundo Garantidor de Crédito (FGTS) para pagar até 80% do valor das prestações.
Mas há algumas restrições para usar o dinheiro, explica Ianelli, do Santander. “O cliente não pode ter mais de três parcelas em atraso e só pode abater até 12 parcelas consecutivas”. A proporção do valor que será abatido da parcela vai depender dos recursos acumulados no fundo.
Essa opção deve ser usada em último caso, já que é melhor usar o dinheiro aplicado no fundo para amortizar o saldo devedor.
Ainda que não tenha efeito imediato sobre as parcelas da dívida, amortizando o valor do saldo devedor o mutuário diminui o pagamento de juros no futuro. Isso não acontece ao usar recursos do fundo para abater o valor de prestações.

http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/bancos-suspendem-pagamento-e-diminuem-prestacao-do-imovel/

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

BNDES amplia desembolso a micro, pequenas e médias empresas. 

BNDES facilitou o financiamento às micro e pequenas empresas, mas também subiu os juros, até dos contratos já firmados.


Por Estadão Conteúdo

Rio – O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou um pacote de medidas que facilita o financiamento aos micros, pequenos e médios (MPMs) empresários. Por outro lado, no entanto, aumenta os juros, mesmo de contratos já firmados dentro do Programa de Sustentação do Investimento (PSI), conforme antecipou o Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) na segunda-feira, 12.

A intenção é ampliar o desembolso a esse grupo de empresas em R$ 5,4 bilhões em um ano, contados a partir do início de 2017.
Na prática, a medida enterra o PSI, uma marca do governo petista, que liberou dinheiro a custo baixíssimo, obrigando o Tesouro Nacional a, por vezes, complementar o orçamento do banco. Entre as medidas está o refinanciamento de contratos que ainda têm parcelas em aberto, parte por inadimplência. Ao todo, o banco conta com R$ 100 bilhões a receber de contratos passados.
Desse total, R$ 10 bilhões devem ser renegociados com MPMs, para que, em vez dos juros de 2,5% a 5,5% cobrados no passado, paguem TJLP de 7,5%. Em contrapartida, é oferecido o alongamento do pedaço do pagamento.

Com isso, o Tesouro não precisará mais fazer equalizações – repasse de créditos ao BNDES -, segundo o diretor de Operações Indiretas do banco, Ricardo Ramos.
Para os agentes repassadores, o ganho é evitar a inadimplência por conta do alongamento do prazo e da alternativa dada ao cliente de ter a garantia de liberação do dinheiro sem a demora por atraso no pagamento.

Entre as facilidades oferecidas às empresas de menor porte está a extensão do limite de faturamento exigido para o enquadramento, de R$ 90 milhões para R$ 300 milhões; redução do processo de financiamento, de 30 para dois dias úteis; e liberação de até R$ 70 milhões para capital de giro, com prazo de pagamento de cinco anos.
A liberação de dinheiro para capital de giro, inclusive para grandes empresas, será retomada pelo banco em sua nova política operacional, que deve ser anunciada em janeiro, segundo Ramos.
Ele diz que as mudanças são estratégicas e não conjunturais. Portanto, não estariam diretamente relacionadas à crise econômica.
Mas a recessão e a velocidade com que a atividade vai se recuperar em 2017 podem afetar a meta de desembolso. “Se tudo o que fazemos hoje tivesse sido feito antes, 2016 teria sido melhor”, afirmou.

http://exame.abril.com.br/pme/bndes-amplia-desembolso-a-micro-pequenas-e-medias-empresas/

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Reestruturar débitos reduz inadimplência para os bancos.


Índice de atrasos na carteira de crédito para empresas dos bancos teria sido 23% maior sem as reestruturações.

Josette Goulart,
O Estado de S.Paulo

Durante este ano, os grandes bancos brasileiros, entre eles Itaú, Bradesco Santander e Banco do Brasil, adotaram em suas estruturas operacionais uma nova diretoria, a de “situações especiais”. O objetivo dos bancos era ter uma equipe especializada não só em renegociar dívidas, dar mais prazo, exigir mais garantia, mas efetivamente reestruturar as empresas, tentando com isso evitar que os calotes cheguem aos resultados dos bancos. Quando uma empresa atrasa um pagamento, a instituição precisa fazer uma provisão que afeta diretamente seu lucro. Além disso, os números de inadimplência crescem. 

Segundo dados do Banco Central, a reestruturação de dívidas reduz a inadimplência nos bancos. Até junho deste ano, a inadimplência nas carteiras de crédito de pessoa jurídica, por exemplo, teria sido 23% maior não fossem as reestruturações. O índice foi de 3%, e teria ficado em 3,7%, segundo o BC. Em dois anos, os dados do BC mostram que as reestruturações cresceram 158% no sistema bancário, saindo de R$ 14 bilhões para R$ 37 bilhões. 

Um caso prático que ilustra como um calote pode aumentar o índice de inadimplência dos bancos foi o pedido de recuperação judicial da Oi. A empresa tem uma dívida de R$ 65 bilhões e os bancos estão entre os credores relevantes da companhia. Quando a recuperação judicial é efetivada, as instituições financeiras imediatamente provisionam 60% do crédito que emprestaram. E a inadimplência, por consequência, é imediatamente afetada. No caso da Oi, a decisão de entrar em recuperação aumentou em média 0,3 ponto porcentual no índice de inadimplência dos bancos no segundo trimestre.


Provisões. Na última divulgação de resultados das empresas, referentes ao terceiro trimestre do ano, os bancos já se mostraram mais otimistas. As provisões para calotes apontaram uma desaceleração e os bancos já preveem que, a partir do primeiro semestre do próximo ano, a inadimplência deva começar a cair. Mas as análises foram feitas antes da nova crise política que se instalou no País e dos números do Produto Interno Bruto (PIB), que fizeram economistas rever previsões para o ano.
O presidente da consultoria alemã Roland Berger, Antonio Bernardo, diz que as provisões para calotes ainda devem subir. Em sua visão, os bancos, mesmo com novas áreas especializadas, têm problemas em agir preventivamente para evitar que as empresas quebrem. 

Ele conta ter feito um trabalho para identificar o nível de relacionamento de um grande banco brasileiro com seus clientes de médio porte e descobriu que os gerentes só conversam com as empresas quando têm algum crédito a ser concedido. “Os bancos se contentam com demonstrações contábeis que são velhas e esquecem de conversar com os seus clientes e saber o que eles estão fazendo para o futuro”, diz. 

“Os bancos brasileiros deveriam analisar o que aconteceu com os bancos europeus recentemente. Na Itália, os bancos precisam de ¤ 20 bilhões em capital para fazer frente aos calotes das empresas.” Ele também critica o fato de os bancos serem muito restritivos ao crédito a pequenas e médias empresas, ajudando a agravar a situação dessas empresas.

http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,reestruturar-debitos-reduz-inadimplencia-para-os-bancos,10000092427