Dólar desvaloriza 0,34% para R$ 3,10.
Moeda acumula queda de 2,46% em junho e de 2,57% no segundo trimestre.
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Segundo a BM&FBovespa, giro financeiro ficou em torno de US$ 1,3 bilhões Foto: Reuters |
SÃO PAULO - O dólar fechou em queda frente ao real nesta terça-feira e
encerrou junho em baixa, devido a expectativas de entradas de recursos
diante de perspectivas de juros altos no Brasil, movimento que deve
continuar no curtíssimo prazo e sustentar a divisa perto do atual
patamar, um pouco acima de 3 reais.
A moeda norte-americana caiu 0,34 por cento nesta sessão, a 3,1089
reais na venda. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em
torno de 1,3 bilhão de dólares.
Em junho, o dólar acumulou queda de 2,46 por cento e, no segundo
trimestre, de 2,57 por cento, a primeira queda trimestral em um ano.
Mas, no ano, a moeda norte-americana ainda mostra importante valorização
sobre o real, de 16,93 por cento.
"O dólar estabilizou perto desses patamares, um pouco acima de 3
reais, e tudo leva a crer que, na ausência de grandes surpresas, ele
continue por aí", disse o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio
Rodrigues, ressaltando que os juros oferecidos pelo Brasil são "muito
atraentes" a investidores estrangeiros.
Hoje, a Selic está em 13,75 por cento ao ano e a expectativa do mercado é de que mais altas venham para segurar a inflação.
Rodrigues ressaltou, no entanto, que no longo prazo a perspectiva
ainda é de avanço da moeda norte-americana ante o real, refletindo as
expectativas de alta de juros do Federal Reserve, banco central
norte-americano, dificuldades relacionadas ao ajuste fiscal no Brasil e a
apreensão com as investigações da Operação Lava Jato, da Polícia
Federal.
"Acreditamos que os riscos no Brasil são abundantes: associados a
possíveis revisões de ratings e aos muitos riscos políticos relacionados
às investigações de corrupção e ao ambiente político instável",
escreveu o analista do Nomura João Pedro Ribeiro em nota a clientes.
Nesta sessão, a queda do dólar teve como pano de fundo também a briga
pela formação da Ptax, taxa calculada pelo BC que serve de referência
para diversos contratos cambiais. Nos últimos pregões do mês, operadores
costumam disputar para deslocar a taxa para patamares mais favoráveis a
suas posições cambiais.
A moeda norte-americana marcou a mínima da sessão durante uma das
janelas de cálculo da Ptax, pouco depois das 10h, apresentando queda de
mais de 1 por cento e atingindo a cotação de 3,0861 reais na venda.
GRÉCIA
O noticiário relacionado à Grécia também continuou ocupando os
holofotes. Mas investidores têm ponderado que o impacto da eventual
saída do país da zona do euro seria pequeno em economias como o Brasil, o
que ajudou a amortecer as preocupações com o impasse em torno de
Atenas.
A Grécia fez novas propostas nesta tarde para romper o impasse sobre o
acordo com seus credores que se aproximariam mais das demandas das
instituições, segundo uma fonte da União Europeia.
Outro ponto focal é a estratégia de intervenção no câmbio do BC. A
autoridade monetária sinalizou que deve rolar 70 por cento dos swaps
cambiais --que equivalem a venda futura de dólares-- a vencer em agosto,
proporção aproximadamente igual à rolagem dos contratos para julho.
"Está dentro do esperado. Se vir oportunidade, o BC deve reduzir a
oferta ainda mais", disse o operador de um banco internacional, sob
condição de anonimato.
Reuters
http://www.dci.com.br/financas/dolar-desvaloriza-0,34-para-r$-3,10-id478142.html